Chãos Ferais (Feral Grounds)

Atlas do Chão

"em vez de considerar a mudança climática planetária — avaliada por meio de modelagens — como o único índice das transformações do Antropoceno, nós examinamos como infraestruturas humanas, em tempos e lugares específicos, refazem espécies, geologias e, de modo mais geral, ambientes. Isso conduz a narrativas enraizadas em lugar e tempo" Field Guide to the Patchy Anthropocene. The New Nature, por Anna Lowenhaupt Tsing, Jennifer Deger, Alder Keleman Saxena, and Feifei Zhou ------------------------- "instead of considering planetary climate change—assessed through modeling—as the sole index of Anthropocene transformations, we examine how human infrastructures, at specific times and places, reshape species, geologies, and, more generally, environments. This leads to narratives rooted in place and time." Field Guide to the Patchy Anthropocene. The New Nature, by Anna Lowenhaupt Tsing, Jennifer Deger, Alder Keleman Saxena, and Feifei Zhou

Publicado em
28/11/2025

Atualizado em
03/12/2025

A constelação Chãos Ferais resulta de um curso realizado entre março e junho de 2024 em formato híbrido (online e presencial), com a participação de cerca de 50 alunos de pós-graduação das áreas de Arquitetura, Antropologia e Design vinculados a quatro instituições: Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, University of Northern Arizona e Bauhaus Dessau Foundation. O curso foi concebido e ministrado em conjunto entre os editores do Atlas do Chão e as professoras Alder Keleman Saxena e Lili Carr, do projeto Feral Atlas (feralatlas.org), além do prof. Luciano Bernardino da Costa (IAU-USP). 

A proposta consistiu em  articular dois Atlas digitais desenvolvidos simultaneamente, com preocupações semelhantes, no contexto pós-pandêmico: o Atlas do Chão e o Atlas Feral. Para isso tratou-se de investigar, a partir de práticas cartográficas experimentais enraizadas no chão, os conceitos interelacionados de feralidade, infraestrutura e patch (retalho ou fragmento), tal como elaborados pela antropóloga Anna Tsing(Tsing et al., 2024). Desenhou-se assim a Constelação Chãos Ferais, a partir de pesquisa de campo realizada em quatro localidades distintas, como se verá a seguir: a Favela da Maré, no Rio de Janeiro; a Sub-bacia do Rio Monjolinho, em São Carlos, ambas no sudeste do Brasil; Flagstaff, no Arizona, Estados Unidos, e Bitterfeld-Wolfen, na Alemanha. O objetivo foi mapear e inter-relacionar infraestruturas antropogênicas enraizadas em diferentes ecossistemas urbanos do planeta e as feralidades que delas derivam e proliferam para além do controle humano. Nesse sentido, foi crucial, do ponto de vista metodológico, a articulação entre trabalho de campo, observação empírica e produção de mapas poéticos como forma de compreender o Antropoceno a partir de retalhos ou fragmentos (patches) que compõem a constelação. A seguir apresentamos três dessas localidades – Bitterfeld-Wolfen, Maré e Monjolinho – e as questões a partir delas levantadas.

Feral Grounds

The constellation Feral Grounds is the result of a course held between March and June of 2024 in a hybrid format (online and in-person), with the participation of approximately 50 postgraduate students from the fields of Architecture, Anthropology and Design affiliated with four institutions: the Department of Architecture and Urbanism of the Pontifical Catholic University of Rio de Janeiro, the Institute of Architecture and Urbanism of the University of São Paulo, the University of Northern Arizona, and the Bauhaus Dessau Foundation. The course was conceived and taught jointly by the editors of the Ground Atlas and professors Alder Keleman Saxena and Lili Carr, from the Feral Atlas project (feralatlas.org), as well as Professor Luciano Bernardino da Costa (IAU-USP).

The proposal consisted of articulating two digital atlases developed simultaneously, with similar concerns, in the post-pandemic context: the Ground Atlas and the Feral Atlas. To this end, the study investigated, through experimental cartographic practices rooted in the ground, the interrelated concepts of ferality, infrastructure, and patches, as elaborated by anthropologist Anna Tsing (Tsing et al., 2024). Thus, the Feral Grounds Constellation was designed, based on fieldwork conducted in four distinct locations, as will be seen below: the Favela da Maré, in Rio de Janeiro; the Monjolinho River Sub-basin, in São Carlos, both in southeastern Brazil; Flagstaff, in Arizona; and Bitterfeld-Wolfen, in Germany. The objective was to map and interrelate anthropogenic infrastructures rooted in different urban ecosystems of the planet and the feralities that derive from them and proliferate beyond human control. In this sense, the articulation between fieldwork, empirical observation, and the production of poetic maps was crucial from a methodological point of view, as a way of understanding the Anthropocene from patches that make up the constellation. Below we present three of these locations – Bitterfeld-Wolfen, Maré, and Monjolinho – and the questions raised by them.

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Bitterfeld-Wolfen

A região de Bitterfeld-Wolfen é conhecida como um dos casos mais extremos de poluição ambiental da história alemã, após mais de um século de mineração de linhito e de 12 km² de produção eletroquímica até 1990, ano do fim da República Democrática Alemã (RDA). Hoje, o Chemiepark Bitterfeld-Wolfen e as mais de 300 empresas ali instaladas reinsdustrializam o terreno que a indústria do século XX estabeleceu materialmente – no “solo construído” de fundações, entulhos compactados e na persistente contaminação química do solo e das águas subterrâneas, que justifica a presença de nova indústria em detrimento de outros usos do solo – e politicamente, ao atrelar o sucesso da economia local ao sucesso da indústria, principal empregadora e principal polo de atração de investimentos da região.

O legado de Bitterfeld-Wolfen de poluição do solo – um “problema de eternidade” a ser monitorado perpetuamente – e de ocupação industrial – um motor econômico a ser sustentado perpetuamente – é amplamente documentado. Menos atenção tem sido dada ao potencial do solo de Bitterfeld-Wolfen como feral – inerentemente fora do controle e da contenção humanos — e às novas formas de sociabilidade e de resistência que isso faz emergir. Visto de dentro, esse solo é ao mesmo tempo arquivo e meio heterogêneo, no qual vestígios materiais se misturam e se transformam através de processos vitais mais-que-humanos e forças terrestres. A natureza inquieta, incessante e criativa desse solo nos convida a reabrir termos amortecidos como “sustento” e “sustentabilidade”, ampliando-os e revigorando-os para respeitar as teias incrivelmente complexas de relações multiespécies e multitemporais que estruturam e sustentam a vida, aqui.

Em junho de 2024, o Chemiepark, Seção A, recebeu o Festival OSTEN, um festival anual fundado em 2022 para celebrar o antigo Leste da Alemanha a partir dos múltiplos pontos de vista contidos nas “histórias de tirar o fôlego e na atmosfera muito especial” de Bitterfeld-Wolfen (https://osten-festival.de/en/visit/faq/). No espírito da programação, que convida moradores e visitantes a propor formatos criativos para navegar por essas histórias, desenvolvemos uma série de caminhadas abertas dentro da Seção A até lugares para os quais, como visitantes e convidados, nos sentimos atraídos. Essas caminhadas abriram espaço e tempo para compartilhar impressões, memórias e observações minuciosas entre todos que se juntaram ao percurso – e em reconhecimento àqueles que trabalharam e caminharam por esse solo antes.

Esse contexto constitui a base dos pontos mapeados, originados em situações observadas na Seção A do Chemiepark, entre abril e junho de 2024. Esses pontos foram posteriormente desenvolvidos seguindo suas relações por meio de fontes de arquivo e de conversas com aqueles cujo trabalho cuida, de algum modo, do solo de Bitterfeld-Wolfen hoje. Os pontos foram desenvolvidos por Akshita Bhandari, Randi Rojas Díaz, Carlos Jawaad Issoop, Aliaksandra Liakhavets, Hira Rasool, Hannah Schönicke e Lili Carr. Com agradecimentos a Vera Lauf (Bauhaus Dessau Foundation), Fred Walkow, Patrice Heine (Chemiepark Bitterfeld-Wolfen), Dorit Öhlschläger (Kompetenz Grün), Cora Pröschold (Kreismuseum Bitterfeld) e Anne Diestelkamp (Festival OSTEN).

Maré

Um conjunto de 15 favelas e 4 km2 no Rio de Janeiro, delimitado pela Baía de Guanabara e por três grandes vias expressas (Av Brasil, Linhas Vermelha e Amarela), no qual vivem hoje cerca de 140 mil pessoas, majoritariamente negras. Um imenso complexo de aterros, construídos em diferentes momentos nos últimos cem anos através de diferentes processos construtivos, por diferentes agentes e com diferentes materiais segundo lógicas de ocupação e práticas construtivas altamente predatórias impostas ao longo do tempo sobre os manguezais nativos. Esse acúmulo de aterros contraria a lógica arquitetônica das palafitas ligadas à origem da Maré – cuja erradicação foi particularmente intensa no período militar (1964-1989) – e se soma ao adensamento urbano em expansão contínua, à precarização da infraestrutura existente e à localização costeira, tornando o território particularmente vulnerável a contaminação, poluição atmosférica, enchentes e tantos outros problemas socioambientais.

Considerada oficialmente como bairro desde 1994, a Maré já foi classificada como área de elevada propensão a inundações e altas temperaturas. E parte significativa do seu território físico também está mapeada como uma das áreas da cidade mais sujeitas a alagamento pela elevação do nível do mar. Outros aspectos constitutivos da potência do chão e da própria territorialidade da Maré, porém, têm sido ignorados, sobretudo do ponto de vista da sua diversidade. Visto por dentro e por baixo, o chão da Maré é, afinal, um arquivo que guarda vestígios, memórias, saberes e patologias ligados à formação histórica, territorial, socioespacial e paisagística de um dos maiores complexos de favelas e de aterros da cidade, e ao mesmo tempo contém uma profusão de modos multiformes e multiespécies de resistências criativas que nos convidam a alargar a concepção de política e pensar em termos cosmopolíticos.

Nesse sentido, pode-se pensar o chão antropizado da Maré também como uma bioinfraestrutura básica, nos termos propostos pela pensadora feminista Maria Puig de la Bellacasa: essencialmente relacional e invisível – ou melhor, com uma dimensão de invisibilidade que “dá sentido ao visível” -, associada a um caráter ecológico como componente imprescindível de uma socialidade extremamente complexa a ser reconhecida, respeitada e fortalecida.

Foi por esse viés que se moveu o mapeamento feito no Là/Laboratório de Análises Arquitetônicas do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio, em parceria com o Observatório de Favelas e colaboração da Redes da Maré. Os 5 pontos mapeados resultaram de observações em campo nas favelas de Nova Holanda e Parque União. Equipe: Daniel Lavinas, Felipe Wilbert, Guilherme Assis, João Henrique Alves, Larissa Monteiro, Monique Medeiros, Roberio Catelani e Thalia Almeida.

Sub-bacia do Rio Monjolinho

Transição de escalas I: A sub-bacia do Rio Monjolinho se situa na cidade de São Carlos, região central do estado de São Paulo. Engloba toda a área urbana do município e a porção sudoeste de seu território. O Monjolinho compõe confluências com um rico tecido de córregos: Santa Maria do Leme, do Tijuco Preto, do Mineirinho, do Gregório, do Medeiros, da Água Quente e da Água Fria. Por sua vez, suas águas vão desembocar no Jacaré-Guaçu, no Tietê e no Paraná, chegando à Bacia do Prata. Monjolo, máquina rudimentar para a moagem de grãos baseada no princípio da alavanca e movida por pequenas quedas d’água.

Transição de escalas II: O município de São Carlos possui 72% de seu território em área de afloramento do Aquífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. O Aquífero está localizado na região centro-leste da América do Sul e ocupa uma área de 1,2 milhões de Km², estendendo-se pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Dois terços de sua extensão está em território brasileiro, abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enquanto os rios são utilizados como divisores geográficos, as águas subterrâneas não têm fronteiras. Monjolo, toponímia recorrente em rios e territórios situados sobre o Aquífero.

Extrato espaço-temporal: Num chão de 273,77 km², a Sub-bacia do Monjolinho e o Aquífero Guarani se encontram. É a porção sudoeste desse encontro que nos interessa. Área de solo arenoso, incompatível com a expansão urbana. Nessa região, mais de 10% da população da cidade vive em conjuntos habitacionais precários que conectam políticas públicas aos interesses do mercado imobiliário, Minha Casa Minha Vida e ocupações de encostas e mananciais. Região que abriga antigas fazendas de café com traços coloniais do uso de mão de obra escravizada e imigrante, e a primeira usina hidrelétrica a entrar em operação no estado de São Paulo, construída em 1893. Uma paisagem de ravinas onde tais moradias e fazendas dividem espaço com aterro sanitário e estação de tratamento de esgoto, áreas de extração de areia para construção civil, plantações de cana, usina de etanol de segunda geração, estradas de ferro que transportam as commodities do Centro-Oeste ao Porto de Santos, e uma conhecida encruzilhada de despachos. Tudo junto e misturado. 

Os pontos Água antropogênica, Chãos voadores, Propensão ao espalhamento, Terra cansada e Voçoroca são uma amostra entrópica de processos ferais co-produzidos com o chão e a água, e os assumem como sujeitos de fala. Foram desenvolvidos por alunos da disciplina Cartografias: tecnopolíticas e geopoéticas do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo do IAU-USP, sob coordenação de David Sperling e Luciano Costa. Autores: Amanda Cota, Antônio Luís do Amaral Machado, Cíntia Gomes, Dyego da Silva Digiandomenico, Fabiana Palmeira, Filipe Maciel Paes Barreto, Gabriela Delisangela Andrade, Gabriela Momberg, Lara Brisante Fernandes, Lauderico Ferreira Bastos Neto, Lucas Dalcim, Luís Gustavo Bet, Marcos Vinicius da Silva Ferreira, Maria Rita de Sá Brasil Horigoshi, Mariana Lamenza, Murielle Moreira Facure, Priscila Soares Batista, Renata Michelon Cocco, Sebastião Inácio da Cruz, Sofia de Anchieta Messias, Willian Sartor Preve.

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Bitterfeld-Wolfen

The region of Bitterfeld-Wolfen is known as one of the most extreme environmental pollution cases in German history, following more than a century of brown coal mining and 12 km2 of electro-chemical production up until 1990, the end of the German Democratic Republic (GDR). Today, the Chemiepark Bitterfeld-Wolfen and the 300+ companies hosted here reindustrialise the ground that twentieth century industry established materially—in the ‘made ground’ of building foundations, compacted rubble, and in the enduring chemical contamination of soils and groundwater that justifies new industry over other ground-uses—and politically, by tethering the success of the local economy to the success of industry as the region’s largest employer and attractor of investment. 

Bitterfeld-Wolfen’s legacy of ground pollution, an ‘eternity problem’ to be monitored in perpetuity, and industrial occupation, an economic driver to be sustained in perpetuity, is well documented. Less attention has been given to the potential of Bitterfeld-Wolfen’s ground as feral—inherently out of human control and containment—and the novel socialities and modes of resistance this brings forth. Seen from within, this ground is both archive and heterogeneous milieu in which material traces mix and morph under more-than-human life processes and earth forces. The restless, relentless, creative nature of this ground invites us to prise open deadened terms such as ‘sustenance’ and ‘sustainability’, broadening and enlivening them to respect the incredibly complex webs of multispecies, multitemporal relations that structure and support life, here.

In June 2024 the Chemiepark, Section A, hosted Festival OSTEN, an annual festival founded in 2022 to celebrate the former East of Germany from the many vantage points held within Bitterfeld-Wolfen’s “breathtaking stories and its very special atmosphere”1. In the spirit of the programme inviting residents and outsiders to propose creative formats for navigating among those stories, we developed a series of open walks within Section A to places where we, as visitors and guests, felt drawn to. These walks carved out space and time for sharing  impressions, memories and close observations between all those who joined to walk along, and in recognition of those who worked and walked upon this ground before. 

This context forms the basis of the points mapped, originating in instances noticed in the Chemiepark Section A, between April and June 2024. These points were subsequently developed by following their relations through archival sources and conversations with those whose work cares, in some way or other, for Bitterfeld-Wolfen’s ground today. Team: Akshita Bhandari, Randi Rojas Díaz, Carlos Jawaad Issoop, Aliaksandra Liakhavets, Hira Rasool, Hannah Schönicke and Lili Carr. With thanks to Vera Lauf (Bauhaus Dessau Foundation), Fred Walkow, Patrice Heine (Chemiepark Bitterfeld-Wolfen), Dorit Öhlschläger (Kompetenz Grün), Cora Pröschold (Kreismuseum Bitterfeld), and Anne Diestelkamp (Festival OSTEN). 

Maré

A cluster of 16 favelas and 4 km2 in Rio de Janeiro, bordered by Guanabara Bay and 3 major highways (Av Brasil, Linhas Vermelha e Amarela), where around 140,000 people, mostly black, currently live. An immense complex of landfills, built at different times over the last hundred years through different construction processes, by different agents and with different materials according to occupation logics and highly predatory building practices imposed over time on the native mangroves. This accumulation of landfills contradicts the architectural logic of the stilt houses linked to the origins of Maré – whose eradication was particularly intense during the military period (1964-1989) – and adds to the continually expanding urban densification, the precariousness of the existing infrastructure and the coastal location, making the territory particularly vulnerable to contamination, flooding and other socio-environmental problems.

Maré has already been classified as an area highly prone to flooding and high temperatures. And a significant part of its physical territory is also mapped as one of the areas of the city most subject to flooding due to rising sea levels. Other aspects that constitute the potential of the ground and the territoriality of Maré itself, however, have been ignored, especially from the point of view of its diversity. Seen from within and below, the ground of Maré is, after all, an archive that holds traces, memories, knowledge and pathologies linked to the historical, territorial, socio-spatial and landscape formation of one of the largest complexes of favelas and landfills in the city, and at the same time contains a profusion of multiform and multispecies modes of creative resistance that invite us to broaden the conception of politics and think in cosmopolitical terms.

In this sense, the anthropized ground of Maré can also be thought of as a basic bioinfrastructure, in the terms proposed by feminist thinker Maria Puig de la Bellacasa: essentially relational and invisible – or rather, with a dimension of invisibility that “gives meaning to the visible” –, associated with an ecological character as an essential component of an extremely complex sociality to be recognized, respected and strengthened.

This is the bias behind the mapping carried out by Là/Laboratory of Architectural Analysis of the Department of Architecture and Urbanism at PUC-Rio, in partnership with Observatório de Favelas and in collaboration with Redes da Maré. The 5 mapped points are the result of field observations in the favelas of Nova Holanda and Parque União. Team: Daniel Lavinas, Felipe Wilbert, Guilherme Assis, João Henrique Alves, , Larissa Monteiro, Monique Medeiros, Roberio Catelani and Thalia Almeida.

Monjolinho River Sub-basin

Scale Transition I: The Monjolinho River sub-basin is located in the city of São Carlos, central region of the state of São Paulo. It encompasses the entire urban area of ​​the municipality and the southwestern portion of its territory. The Monjolinho River forms confluences with a rich network of streams: Santa Maria do Leme, Tijuco Preto, Mineirinho, Gregório, Medeiros, Água Quente, and Água Fria. In turn, its waters flow into the Jacaré-Guaçu, Tietê, and Paraná rivers, reaching the Rio de la Plata Basin. Monjolo, a rudimentary machine for grinding grains based on the lever principle and powered by small waterfalls.

Scale Transition II: The municipality of São Carlos has 72% of its territory in an area where the Guarani Aquifer, the largest transboundary underground freshwater aquifer in the world, is exposed. The Guarani Aquifer is located in the central-eastern region of South America and occupies an area of ​​1.2 million km², extending through Brazil, Paraguay, Uruguay, and Argentina. Two-thirds of its extent is in Brazilian territory, encompassing the states of Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina and Rio Grande do Sul. While rivers are used as geographical dividers, groundwater has no borders. Monjolo is a recurring toponym in rivers and territories located above the Aquifer.

Space-time extract: In an area of ​​273.77 km², the Monjolinho Sub-basin and the Guarani Aquifer meet. It is the southwestern portion of this meeting that interests us. An area of ​​sandy soil, incompatible with urban expansion. In this region, more than 10% of the city’s population lives in precarious housing complexes that connect public policies to the interests of the real estate market, the “Minha Casa Minha Vida” (My House, My Life) program, and the occupation of hillsides and water sources. This region is home to old coffee farms with colonial traces of enslaved and immigrant labor, and the first hydroelectric plant to begin operating in the state of São Paulo, built in 1893. A landscape of ravines where these dwellings and farms share space with a landfill and sewage treatment plant, sand extraction areas for construction, sugarcane plantations, a second-generation ethanol plant, railroads that transport commodities from the Midwest to the Port of Santos, and a well-known shipping hub. All mixed together.

The points Anthropogenic Water, Flying Grounds, Propensity to Spreading, Tired Earth, and Torn Earth are an entropic sample of feral processes co-produced with the ground and water, and they assume them as subjects of speech. They were developed by students of the Cartographies: Technopolitics and Geopoetics course of the Postgraduate Program in Architecture and Urbanism at IAU-USP, under the coordination of David Sperling and Luciano Costa. Authors: Amanda Cota, Antônio Luís do Amaral Machado, Cíntia Gomes, Dyego da Silva Digiandomenico, Fabiana Palmeira, Filipe Maciel Paes Barreto, Gabriela Delisangela Andrade, Gabriela Momberg, Lara Brisante Fernandes, Lauderico Ferreira Bastos Neto, Lucas Dalcim, Luís Gustavo Bet, Marcos Vinicius da Silva Ferreira, Maria Rita de Sá Brasil Horigoshi, Mariana Lamenza, Murielle Moreira Facure, Priscila Soares Batista, Renata Michelon Cocco, Sebastião Inácio da Cruz, Sofia de Anchieta Messias, Willian Sartor Preve.